O Cosmos é tudo o que existe, existiu ou existirá.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Dia dos namorados.

Ontem foi dia dos namorados. Mais um dia comercial, este sem ser feriado. Mas isto é apenas uma observação e não uma critica. Na verdade este dia é óptimo. É uma ilha no ano. Um dia em que conseguimos fugir à rotina e dedicarmo-nos a uma causa feliz. E é um dia em que nos dedicamos a uma segunda pessoa, e por isso também recebe a benesse de ser um dia altruista.
Tenho um amigo que não namora e andava a resmungar sobre a proximidade deste dia. Sente-se mal. Ele fazia-o de uma forma caricata de maneira a ser hilariante. Mas no fundo sente-se sozinho. O dia dos namorados é um mini-dia de Natal, em que quem tem alguém vive-o de forma feliz e a trocar prendas, quem não tem ninguém preferia que o dia não existisse.
Eu confesso que não me dediquei só à minha cara-metade neste dia. Passei a noite com ela, num jantar romântico e com mais dois amigos, de qualquer dia, metade da minha vida. Mas também mandei uma mensagem querida a uma menina, que adoro como um misto de filha-amiga-namorada. O amor não é propriedade de duas pessoas, é muito mais vasto.
O amor é amizade, é fraternidade, é caridade, é também paixão... O dia dos namorados pode ser muito mais lato do que a expressão de amor entre apenas um casal. E contribui com isso para um mundo melhor.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Amar a vida.

Sou um amante da vida. Talvez isto seja um reflexo da minha falta de fé espiritual, não tendo outras crenças, agarro-me à vida. Mas visto por este angulo parece que a vida é tudo o que me resta, como se fosse apenas um resto, e isso uma má perspectiva. A vida é o maior prémio, é o melhor que há. E nós somos os premiados.
Na vida é possivel amar, ter amigos, ter filhos, criar, aprender, ensinar... Podemos fazer as melhores coisas que existem. E só as podemos fazer porque estamos vivos.
Acontecem muitas desgraças e tristezas também. E sentimo-nos frustrados por essas tristezas não servirem nenhum propósito. Existe também a angustia de não vermos os nossos desejos realizados. Tudo isto são coisas más. Não tenho explicação que permita aceitar estas coisas. Tento apenas acreditar que sou um sortudo por continuar vivo.
E sinto-me honrado e feliz por viver junto a pessoas tão nobres como os meus amigos e poder partilhar com eles o que tenho de mais importante, a minha vida.
A vida é o solo fértil. Nós somos a cultura. A amizade e o amor os frutos.

B. de V.

A minha avó e a minha filha.


A minha avó e a minha filha.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Amor verdadeiro.

O amor verdadeiro existe! Esta é uma das questões com que mais me tenho debatido. E poderia ter sido eternamente uma pergunta sem resposta. Mas deixou de o ser. Agora sei que o amor verdadeiro existe. Só que de uma forma que nunca o procurei.
Geralmente quando eu falo no amor verdadeiro sou rapidamente interpolado com uma interrogação para que eu defina o “amor verdadeiro”. Não sei exactamente o que é porque não sabia se existia, mas defino assim aquilo que eu procurava: é um tipo de amor que supera a razão. Que une duas pessoas, que se amam, com um laço tão forte que se torna inquebrável. Amor verdadeiro é aquele em que o mais importante é a felicidade da pessoa amada. Não existe ciúme, pois somos capazes de abdicar da pessoa amada pela sua felicidade. Não existe mentira e isso acentua o verdadeiro. Somos capazes dos maiores sacrifícios pela pessoa que amamos, mesmo morrer. Ser correspondido é sinónimo de felicidade plena. E também imagino o amor verdadeiro como um fogo que nos alimenta sem consumir. Como algo que sem tempo para se construir existe logo em toda a sua força e dimensão.
O que eu procurava era algo que só tinha tido conhecimento através de uma história de ficção: “Romeu e Julieta”. São o mote para esta minha busca. Mas o amor entre estes dois personagens, parece-me tão maravilhoso, que se existisse fazia justiça à própria vida.
Não quero desvalorizar o meu sentimento com a pessoa que amo, a minha esposa, e querida amiga Mafalda. Ela é a minha correspondente no melhor que tenho na minha vida. Minha amiga, amante e companheira. Mas o que tenho com ela é fruto de uma construção lenta e bem trabalhada. Eu e ela temos os mesmos interesses, e sempre foi agradável estar com ela, é fácil recordar-me que anos antes de namorarmos já saíamos juntos, passávamos passagens de anos juntos, conversávamos muito, riamo-nos em conjunto e sarávamos magoas em conjunto. Foi um passo natural namorar e mais tarde casarmos. Mas o que temos foi fruto de um companheirismo dedicado um ao outro. O meu amor com a Mafalda é fruto de um relacionamento sólido, sujeito ao tempo, preenchido com diálogo e compreensão. E é um caso feliz de amor. Mas não é um amor que sem tempo existiu em toda a sua dimensão. Não é amor verdadeiro segundo a minha definição. È antes algo como amor pleno.
“Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.” È uma frase de outra pessoa que eu amo. Um outro tipo de amor. Um amor mais puro. Mas a existência destas duas pessoas na minha vida, e das diferentes formas que as amo, prova que existem diversos níveis de amor. E a própria frase confirma isso: “…poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.” Fala da variedade e raridade de certas formas de amar.
Mas apesar destas interrogações filosóficas com que me debatia, encontrei agora uma prova e solução para a minha interrogação. O amor verdadeiro existe! Apercebi-me disso quando estava a segurar ao colo da minha filha, olhei para ela e através dela no tempo e soube que a amava acima de tudo. Que o laço que me prende a ela é inquebrável. O mais importante para mim é a felicidade dela. Não existe mentira ou ciúme entre mim e ela. Sou capaz de tudo por ela, mesmo morrer. E tudo isto apareceu em toda a sua intensidade sem tempo para se construir. È amor verdadeiro.
Afinal eu procurava o amor verdadeiro como sendo uma espécie de amor platónico entre um homem e uma mulher, e o amor verdadeiro transcende isso tudo. O amor verdadeiro não se sujeita às relações do namoro humano. È algo tão glorioso que não tem essa restrição.
Mas a prova surgiu-me numa relação não platónica. O que me deixa outra variação da questão… Será que o amor verdadeiro do Romeu e da Julieta é possível na vida real?

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Crescimento.

A Beatriz já tem 3 semanas completas. Quando estou com ela, mesmo estando ela a dormir, fico deliciado a observá-la. Durante esse tempo, em que estou inerte, a minha mente divaga sobre o que será o futuro da Beatriz. È impossível sabê-lo mas mexe com a curiosidade. Os pais querem sempre o melhor para os filhos, mas nem sempre sabem o que é o melhor, e não o devem tentar impor.
Estes primeiros tempos da vida de uma pessoa são passados maioritariamente a dormir. O metabolismo esse não dorme, opostamente à capacidade de movimento, é intenso. È surpreendente como em 3 semanas a minha filha cresceu 2,5cm. È quase 1 cm por semana. Por esta média uma pessoa em 4 anos podia passar de 50cm para 2,5m. Claro que o crescimento não será sempre assim tão galopante.
A minha filha, apesar de ser desta espécie que denominamos inteligente (espero que ela possa contribuir para a melhoria da espécie humana), ainda não tem consciência. È curioso pensar que estes primeiros 5 anos da vida dela, serão na vida adulta dela apenas um borrão na memória, talvez com a recordação de um momento mais marcante e nada mais. No entanto para mim serão dos anos mais importantes. Não só pela diferença feliz que é ter uma descendente, mas pela paixão com que viverei cada pequena grande conquista dela. Estou ansioso por a ver a conseguir segurar a cabeça por si própria, depois por a ver a manusear objectos, a rastejar e a gatinhar, a dizer a primeira palavra, a caminhar… É uma sequencia de acontecimentos apaixonante. E só os pais é que terão memória disso. Nunca a minha filha se lembrará de quando começou a falar, mesmo isso, provavelmente, marcando o início da consciência dela.
Agora resta-me estar ao lado dela. A ajudá-la, a cuidá-la e a ensiná-la. Por tudo isso sou recompensado com esta sensação de preenchimento que a natureza oferece a quem colabora com os seus interesses.
Amo-te Beatriz.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Um sim ou um não podem mudar tudo.

Um "sim" ou um "não" pode mudar a nossa vida. A vida é um desfile de decisões e a cada momento temos que escolher um novo rumo. Não há caminhos traçados, nós é que fazemos o caminho. Se escolhermos um caminho árduo somos nós quem o temos que trilhar. Mas também seguir pelos caminhos fáceis não nos faz chegar a metas de interesse. Então o dificil é encontrar o equilibrio entre o certo e o errado, o fácil e o dificil, o que queremos e aquilo que podemos...
Ainda não tomei decisões radicais na minha vida, continuo no caminho fácil, mas desejo ardentemente correr o risco. Porque sei que só arriscando posso ser verdadeiramente feliz. Se não o fizer ficarei ainda assim contente (contentado). Mas arriscar caminhos tortuosos não é uma escolha fácil, traz muitas dores. Quero essas dores? Não, não quero as dores! Mas desejo alcançar a meta que está para além do atalho dos trabalhos. O que o futuro dirá é se ousarei correr o risco.
Mas não espero pelo amanhã, para o saber. Talvez tenha perdido a noção do equilibrio e esteja demasiado viciado no presente. Mas é no presente que sou feliz. São pequenos momentos como os que tenho vivido, quando o presente é presente, que me dão alento. São momentos simples mas que fazem justiça à vida. São o que tenho. E tenho que estar feliz pela realidade não ser demasiado complicada a ponto de não os poder viver.
E quando vejo as coisas a desmoronarem-se à minha volta sinto que sou uma coluna de suporte. Suporto-me a mim e apoio quem me rodeia. Por isso, pelo meu orgulho, ou talvez por que simplesmente sou assim, mantenho-me sem tombar. E para tomar o caminho é preciso estar de pé, ou não chegamos longe. Falta-me saber nesta encruzilhada se serei mais feliz com o "sim" ou com o "não"...

quinta-feira, janeiro 05, 2006

"Carpe Diem".

Não existem contos de fadas. A vida real não tem contos de felicidade. O mais próximo que existe disso são contos de contentamento. Se não podemos ficar felizes pelo menos não ficamos descontentes.
È uma realidade que eu aceito e que não me entristece. Poderia ser desmoralizador o facto de me acreditar com antecedencia que a felicidade plena nunca pode ser alcançada. Mas não me desmoraliza. Talvez seja isso a maturidade, o aceitar que a luz que existe no mundo não é colorida mas afinal apenas em tons de cinza. O meu ponto de vista optimista é que se não tenho cor também não estou condenado às trevas.
Muita gente desespera porque algo na sua vida não é como esperavam, o amor, a riqueza, o casamento... E dizer-lhes que nunca vai ser só serve para acentuar esse desespero. Mas é a verdade.
Eu aceito o mundo como ele é. Mas não sou insensivel. Sofro como qualquer pessoa. Mas olho mais além, e acredito-me que o melhor está sempre para vir. È um pequeno alivio.
As histórias cor de rosa com fadas não existem. Pelo menos para um numero de pessoas que seja de considerar. Então resta-nos ou desesperar ou aceitar essa realidade. Eu escolhi aceitá-la. E vivo sem desespero.
Acredito-me numa filosofia que a pouco e pouco se tem tornado a minha unica religião. Uma filosofia introduzida por um poeta de seu nome Horácio já lá vão muitos séculos, diz ela:

"Tu ne quaesieris scire nefas quem mihi quem tibi
finem di dederint Leuconoe nec Babylonios
temptaris numeros. ut melius quidquid erit pati.
seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrrhenum: sapias vina liques et spatio brevi
spem longam reseces. dum loquimur fugerit invida
aetas: carpe diem quam minimum credula postero. "

Traduzido:

"Não questiones, nefasto é saber, quer para mim, quer para ti,
o fim que nos reservam os deuses, Leucónio, nem os babilónios
horóscopos consultes. Quão melhor o que quer que venha é sofrer,
sejam inúmeros os Invernos, seja este o último que Júpiter nos atribui,
e que agora, contra as falésias, debilita a força do mar
Tirreno! Sê sábio, filtra os vinhos e restringe a momento breve
a vasta esperança. Enquanto falamos, terá escapado o invejoso
tempo. Aproveita o dia e não confies em nada do que é futuro."

terça-feira, janeiro 03, 2006

Sensatez.

A sensatez é dos valores que mais aprecio. E penso que posso sentir algum orgulho de ser reconhecido como alguém cujas acções demonstram sensatez.
Mas neste momento, sem querer me expor, sinto que tenho que tomar decisões que podem transformar a minha vida. E tenho que conjugar a sensatez, com a sabedoria, correndo riscos em qualquer decisão que tome.
Passa-me também pela cabeça que a sensatez não é o único factor importante a avançar para uma decisão. O que dificulta bastante as questões. Se optar pela sensatez sei que prejudico o mínimo de pessoas inclusive a mim, se o não fizer corro riscos de me magoar e outros comigo.
Mas sei que correr riscos é necessário. Senão fosse assim reparem nestes exemplos e pensem no que é mais sensato:
1º Tendo um emprego estável por conta de outrem com um salário fixo e satisfatório ficar com o emprego, ou arriscar abandonar essa estabilidade na vida por um negócio incerto por conta própria onde podemos triunfar ou fracassar.
2º Estando apaixonado pela nossa melhor amiga mantermos o silêncio sobre o nosso amor sem correr o risco de criar um desconforto entre os dois que prejudique a amizade, ou arriscar declararmo-nos a ela podendo encontrar o amor verdadeiro ou perdê-lo para sempre.
3º Tendo uma vida certa e confortável numa localidade pequena onde somos reconhecidos e apreciados nunca deixar esse meio garantindo o conforto e o reconhecimento pessoal, ou arriscar abandonar esse meio saltando para o desconhecido de forma a poder conhecer o mundo e expandir os nossos horizontes ou tornando-nos um vagabundo.
São exemplos dramáticos, mas quantos de nós não têm que tomar pelo menos uma destas decisões na vida… Nenhum destes casos é exactamente o meu, nunca há dois casos totalmente iguais, mas os sentimentos envolvidos são os mesmos. Arrisco dar o passo ou não dar o passo?! Ganhar ou perder?! Sensatez ou insensatez?! Tudo ou nada?!
Estou mais inclinado para o arriscar, o que vai contra a ideia de eu ser sensato… Mas para além de sensatez que advém da minha racionalidade, essa mesma racionalidade diz-me que a fronteira que me é imposta sem o risco não é suficiente para a minha felicidade. Por isso esta carta é o meu primeiro passo para o risco que vou correr. È uma forma de organizar as minhas ideias, de forma a arriscar controlando os riscos. Se isso é possível.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Ano novo, vida nova.

Começou um novo ano. É sempre um acontecimento sinónimo de esperança e de novas oportunidades.
Na minha vida os acontecimentos recentes são todos eles positivos. Tenho uma empresa cujos investimentos se estão a pagar a eles próprios, tenho uma mulher que me ama, tenho uma filha linda recém-nascida. Com tudo isto no começo de um novo ano devia estar rejubilante. Mas não me sinto assim.
Estou apreensivo, angustiado, muito angustiado e cansado... O espírito humano é assim mesmo, incompreensível. Claro que no fundo nós nos compreendemos a nós próprios. Às vezes por orgulho ou por falta de racionalismo aplicado sobre nós próprios não conseguimos discernir os motivos que lá no fundo nos fazem sofrer. Felizmente a mim não me falta a razão. E tenho a capacidade introspectiva necessária para saber as causas da minha angústia. Também tenho a razão suficiente para não as partilhar aqui num sítio público.
Mas não condeno esta insatisfação que sinto. Sei que ela é um motor. Se o ser humano estivesse satisfeito estagnava. È preciso estar insatisfeito para se procurar a satisfação. Muitas vezes é difícil porque o nível de sofrimento tolda-nos a razão, e impede-nos de ver as soluções e o caminho a seguir para elas. Portanto manter a calma é necessário mas difícil.
Faz-me simpatizar cada vez mais com as filosofias orientais que cultivam a paz do espírito. Mesmo que não as pratiquemos a simples ideia de que elas existem, e a paz interior é possível de obter, já é um alívio.
Fugi ao tema que uma carta de ano novo devia apresentar: esperança, paz, amor, humanidade... Ou será que foi mesmo disso que estive a falar todo o tempo?

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Beatriz.


Nasceu a Beatriz. A minha filha nasceu. Ao escrever isto ela ainda não tem 24 horas fora da barriga da mãe. È dificil ao dizer a frase anterior não a terminar com "24 horas de vida", mas estava errado se dissesse assim.
Nestas primeiras 24 horas de vida no exterior da Beatriz ela vive imensas experiencia novas, momentos unicos e maravilhosos que se vão repetir para o resto da sua vida, e que nós que já os tomamos como tão certos que até nos esquecemos do maravilhoso dessas experiencias: respirar ar; ver a luz do dia; tocar em objectos; comer; vestir roupa... são tudo coisas novas para a minha filha.
Mas seria errado se dissesse que a vida dela começou há menos de 24 horas. Na minha qualidade de ser humano há coisas que nunca saberei, e uma delas é definir concretamente quando começou a vida dela. Se calhar começou quando as células no seu embrião adquiriram especialidades e se distinguiram umas das outras. Se calhar começou ainda antes, quando o óvulo foi fecundado. Ou se calhar a Beatriz sempre existiu dentro de mim e da Mafalda à espera de nascer. Se calhar a Beatriz existe desde que a primeira molécula (aqui na Terra ou em outro lugar) ganhou capacidade de se autoreplicar... A vida é ininterrupta, desde que ela apareceu ainda não deixou de existir. E a vida é uma propriedade que nós temos e que partilhamos com toda a humanidade e todos os outros seres vivos da Terra. A vida de todos descende da mesma vida. È um elo de união profundo no tempo.
E agora a Beatriz nasceu. Estou feliz. Pensei que ia chorar. Mas não aconteceu. Senti amor. Amo a minha filha mais do que algoutro (as palavras também nascem). Esta noite não dormi, não porque ela tivesse chorado, ela foi calminha toda a noite, mas por protecção. Toda a noite estive atento a ela, a cuidar dela, a vigiá-la. Estarei assim para o resto da minha vida. Serei um seu grande amigo e professor.
Amo-te Beatriz.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

O amor é maravilhoso.

As histórias de amor são maravilhosas.
Ando realmente a passar por uma altura da minha vida favorecida em optimismo: A vida é maravilhosa; O amor é lindo; e agora as histórias de amor são maravilhosas.
Mas é verdade tudo isto. Os sentimentos que enchem o coração do Homem são virtuosos. E apenas estou a passar por uma época da minha vida com o desafogo suficiente para poder parar a observar estas realidades.
As histórias de amor são maravilhosas. Especialmente se estivermos a falar de romance e de amor verdadeiro. Quando duas pessoas se amam, o amor entre eles justifica tudo. Ou quase tudo. Mas desde que sejam verdadeiros ao amor e o amor seja verdadeiro, penso que posso dizer que tudo se justifica.
È uma ferramenta muito poderosa o amor. Grandes Homens já descobriram isso. E usaram essa ferramenta em proveito da humanidade para fazerem grandes coisas. Falo de Homens como Jesus Cristo, Mahatma Ghandi ou Madre Teresa de Calcutá... Tenho que usar reticências pois felizmente houveram vários Homens que souberam amar.
Mas as histórias de romance também são maravilhosas. Encantam o nosso coração. Enchem-nos de alegria. Quando amamos ouvimos rouxinois a cantar e o céu tem sempre um arco-íris. Ficamos optimistas. E a humanidade também beneficia disso. Ninguém mata se ama. Só se mata por ódio.
As histórias de amor são maravilhosas.

sábado, dezembro 24, 2005

Culpa das circunstâncias.

As circunstâncias são as culpadas. Seja o que for que tiver acontecido são sempre as circunstâncias. E não estou a tentar ser satírico, é mesmo assim: as circunstâncias são as culpadas.
Um homem comete um crime. Quem é culpado? Seja por que lado que se faça a análise são as circunstâncias! Se ele foi apanhado numa vida de crime, enredado por um meio social degradante onde não teve oportunidades de vida, quem é o culpado? As circunstâncias! Se ele cometeu um crime provocado por fúria, vingança ou até ciúme, quem é o culpado? As circunstâncias! Se as circunstâncias não tivessem sido essas toda a história era diferente.
È triste que seja assim porque dá a parecer que não controlamos a nossa vida. De certa forma não controlamos, temos que nos adaptar. Não quero parecer demasiado paranóico, mas nascemos numa hora e local que não controlamos, e não estou a falar de hora num sentido estrito em que na vez de nascermos a 14 de Agosto nascemos a 15, estou mesmo a pensar na época, a diferença entre nascermos na idade média ou no tempo actual influência a nossa vida de forma brutal, mas a probabilidade de nascimento numa ou noutra época é a mesma.
E o meio ambiente que nos rodeia também é um fruto do acaso e das circunstâncias.
As circunstâncias são a parte mais pequena do caos. A combinação delas todas traça um destino imprevisível.
Foi o Romeu e a Julieta que me fizeram pensar nisto tudo. Eram os dois jovens, conheceram-se, eram de bom coração, apaixonaram-se e se dependesse apenas deles o seu destino tinham sido felizes e vivido aquela raridade que é o Amor Verdadeiro. Mas não foi assim. Nem mesmo na ficção em que tudo podia ser perfeito, até aí as circunstâncias estiveram contra eles. As circunstâncias disseram que as suas famílias eram opositoras e o amor proibido. Quantos casos hão assim que não são ficção? Quantos amores proibidos pelas circunstâncias familiares ou pela época de nascimento?
As circunstâncias são o maior adversário da felicidade.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Natal.

Acho que está na altura de falar no natal. Para mim este ano é um tema duplamente pertinente. Natal porque é um feriado comercial. Natal porque a minha filha nasce brevemente.
Desculpem-me o humor corrosivo em relação ao feriado comercial. É uma verdade apesar. Que lembra às pessoas quando se fala em Natal? Prendas! Comércio portanto. O que é bom, eu sou comerciante. E dar prendas é bom, é uma acção altruísta. Receber prendas também é bom!
Mas depois há o outro lado do natal, aquele que deu origem à palavra, o nascimento. Não vou falar do nascimento do galileu, foi um bom homem, mas apenas isso, para mim importante é o nascimento da minha filha. É a minha primeira filha. E ela nasce na semana a seguir ao natal, o feriado claro.
Se nascer no dia 27 como programamos, vai nascer no mesmo dia de pessoas famosas no meu tempo, tais como Gerard Depardieu, Marlene Dietrich ou Louis Pasteur.
Vai-se chamar Beatriz. Encontrei na web referencias que me indicam que "Beatriz" vem de bem disposta e aquela que faz os outros felizes, também encontrei informação que me dizia que a origem do nome estará no latim para "Bem-Aventurada". Sei também que foi o nome de várias rainhas e de muitas infantas de Portugal. Mas o que a Beatriz vais ser sem duvida é a minha princesa. Amo-te Beatriz e amo-te Mafalda (mamã).

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Amor e paixão.

Amar ou apaixonar-se? São coisas parecidas, ambos são sentimentos de bem-querer, mas a forma de se expressarem são bastante diferentes. O amor está para a paz tal como a paixão está para uma batalha. A paixão é intensa, enquanto que o amor é pleno. A paixão não é tão completa nem satisfatória como o amor, no entanto faz-nos viver mais aceleradamente, palpitando e desejando pela pessoa amada.
Estes dois sentimentos estão interligados e são uma sucessão um do outro. Quando a paixão nos começa a roer, se o destino for nosso amigo esse sentimento pode-se transformar em amor verdadeiro. Se o destino não for nosso amigo… o desespero sucede onde deveria aparecer o amor.
Mas também no amor pode surgir a paixão. Até para um casal na plenitude do seu amor pode, e é bom que sim, surgir a paixão. È um estimulo para uma relação longa, provocando o renascimento da fagulha do desejo.
No entanto o amor parece-me mais amplo que a paixão. A paixão parece-me estar ligada a situações apenas de romance (não desvalorizando os martírios, mas no romance também se passa martírios). O amor é uma aura envolvente que nos liga a muitos entes diferentes. Quero dizer que o amor é mais completo. Amar é atingir uma espécie de nirvana terreno.
Bom mesmo, era sentir a intensidade da paixão em conjunto com a paz do amor. Mas parecem coisas opostas não é? O que significa que quando sentimos ardor deve ser paixão. Quando sentimos que o mundo é lindo amamos. E vivemos nesta dualidade. Mas as coisas não simplificam. Só complicam, porque os sentimentos não param por aqui, Juntamente com estes vêm o ciúme, o desejo, a fidelidade, a infidelidade…
Amo a paixão.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

A felicidade de estar vivo.

Estou feliz por estar vivo. A maior parte dos meus conhecidos sabem que sou ateu. A maior parte deles não é ateu. Os mais simples perguntam-me se eu acho então que a vida é só isto, perguntam-me se acho que não há mais nada?...
Penso que algumas pessoas que são ateias tornaram-se assim por estarem desiludidos com deus (perdoem-me os crentes a minúscula) e frustrados com a vida. E ao perderem a fé só se metem num fosso maior. Ser ateu é tal como na religião acreditar num dogma. Um dogma mais natural mas também mais vazio. Não se encontram pontos de apoio espirituais no ateísmo. Desfazem-se esses pontos de apoio. È preciso reavaliar os nossos valores, aprender a separar o que é moral do que é doutrina. Para quem entra no ateísmo por motivos científicos como eu, o mesmo método que nos levou lá, ajuda-nos a fazer essa reavaliação. Para quem caiu no fosso, sem método, afunda-se.
Eu gosto de pensar que no meu caso a vida afiou-se. Fiquei mais vivo. Aprendi a admirar o universo à minha volta com olhos apaixonados. Já não preciso de deus para ficar maravilhado. Pensar que a vida se formou e existe sem intervenção divina é ainda mais maravilhoso do que a forma teológica.
Claro que como todas as pessoas tive períodos mais negros. A idade média das pessoas. Por destino esse período coincide com a adolescência. È uma idade confusa em que temos dúvidas, medos, incertezas, tal como o Rui dizia “…parece que hoje é Janeiro, está um frio de rachar…”. Mas felizmente tive amigos e pais que me ajudaram parcialmente, o resto a vida ensinou-me.
O ponto sensível do ateísmo é discernir que se nada é pecado continua na mesma a haver coisas que são erradas. Sensível porque se o ateísmo é negar a existência de deus(es) cai-se na facilidade de negar as doutrinas associadas também. È uma linha muito ténue. E negar essas doutrinas é errado. Primeiro porque os mandamentos mais importantes de qualquer religião baseiam-se em princípios cívicos e morais que não se tornam errados pelo ateísmo. Segundo porque as religiões baseiam-se nas palavras transmitidas por homens, e se as religiões elevam esses homens a deuses não deixam de ser homens pelo facto de o ateísmo negar deuses, mantêm-se homens e as suas palavras continuam válidas.
Tenho amigos que argumentam que se não me acredito em deus porque não o posso ver (não é apenas por isso, porque senão também não me acreditava em átomos) como posso explicar o amor?! Também não me poderia acreditar no amor, segundo eles. È realmente complicado traçar essas definições. Se recorrer unicamente ao cientista e naturalista dentro de mim, desprezo o amor e pareço um anormal frio e sem sentimentos. Se quero ser humano e não posso ignorar o amor, eles caem-me em cima com o argumento que deus é amor, e por isso eu sinto a deus logo ele existe. Também sinto a dor, será isso o demónio? Então eles são politeístas porque se cada sentimento é um deus, caímos no tempo dos romanos, com um deus para cada virtude.
O amor é maravilhoso. Amar é ser humano. Continuo a não me acreditar em deus e acredito-me à mesma no amor. Não preciso de o ver para isso. Também não é por ver a deus que não me acredito nele. Não me acredito porque prefiro um universo governado pela nossa vontade e não pela vontade omnipresente e toda poderosa. Faz mais sentido o livre arbítrio e a origem natural sem interferências divinas do que a outra versão.
E isso aguça-me os sentidos para a raridade e maravilha que é estar vivo. Amo a vida.

terça-feira, dezembro 13, 2005

Ser humano.

A espécie humana é maravilhosa. Todo o planeta Terra é maravilhoso. Mas o Homem sobressai. Somos fruto de um longo processo de evolução com soluções admiráveis por parte da natureza. Somos ágeis e fortes apenas o suficiente para nos desenrascarmos no meio selvagem. Mas destacamo-nos porque temos características únicas e engenhosas. Partilhamos da capacidade dos mamíferos de amar e de proteger os seus. Desta forma os elementos que por si só seriam de frágil sobrevivência apoiam-se entre si permitindo a sobrevivência de toda a espécie.
E essa capacidade de amar é maravilhosa. Ainda mais porque podemos amar conscientemente. Isso permite-nos juntar o coração ao intelecto e é assim que nasce a arte. Não imagino de que forma poderíamos gostar de música, de poesia, de teatro, senão fosse porque somos capazes de amar.
Acredito-me piamente na vida extraterrestre. Não me acredito em ovnis, obviamente. O que limita a possibilidade de contactos. Mas não deixo de imaginar as coisas maravilhosas que poderíamos descobrir sobre nós próprios se tivéssemos a possibilidade de um contacto com quem não é como nós. Estamos habituados a nós próprios, á nossa história, e banalizamos características que são maravilhosos e quem sabe únicas no universo.
As soluções da natureza tendem a repetir-se em situações isoladas, como exemplo temos as baleias que sendo inicialmente mamíferos terrestres ao voltarem ao mar adquiriram barbatanas tal como os seus vizinhos peixes, e não as copiaram destes nem o conseguiriam fazer, foi apenas uma solução natural.
Provavelmente não podemos dizer que os mamíferos terrestres são os únicos seres no universo capazes de amar, a solução do amor deve ter surgido várias vezes. Mas há tanta coisa maravilhosa sobre nós que muitas vezes desvalorizamos, banalizamos e não entendemos. E o conjunto dessas características é único. Os Homens são únicos, e o amor é maravilhoso.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

A virtude mais forte.

Sou um leitor de flogs, e sinto-me fascinado com todos os pedaços de pessoalidade e personalidade que por ali se transmitem. Mas nunca me senti tentado a criar um. Talvez porque o que mais valorizo é a palavras. Mas numa das minhas ultimas visitas a um flog encontrei um texto sobre o amor que me fez ter vontade de exprimir também a minha opinião aobre o assunto para todo o mundo poder ler.
Terminei à pouco tempo a minha peça "Auto do Monte Olimpo". Nela retrato os valores da sociedade e o valor que cada virtude pode ter dependendo da forma que é usada. A peça mostra que quando se entra em exageros a felicidade nunca pode ser encontrada. E é o mais pequeno dos deuses do Olimpo que resolve toda a questão. Eros, mais conhecido como Cupido romano, provoca o amor onde antes só havia frieza e violência. E isso gera felicidade.
Na nossa vida não existem setas de Cupido, a paixão acontece de formas estranhas e quando menos é esperado, mas o amor que deriva da paixão pode ser construido. Não podemos controlar o coração, se ele quiser-se apaixonar e sofrer não há nada a fazer. Mas podemos ter consciencia de que podemos definir as condições em que isso acontece. Se usarmos a razão podemos prever até que ponto será boa ou má determinada paixão, e podemos negar ou aceitar esse amor. E podemos também tentar encaminhar o amor e adaptá-lo à felicidade mutua. As pessoas são diferentes, mas ao amarem transformam-se. Nós podemos provocar essa transformação em nós e no nosso par. Ser capaz de se adaptar é em si uma prova de amor e dedicação, de querer ser melhor para com quem se ama.
Isto tudo aplica-se aos próprios apaixonados, mas tudo seria muito simples no amor se resumisse assim. Só que o amor não é simples, se assim fosse nunca teria havido uma história como a de Romeu e Julieta. Os apaixonados podem aprender a gostar e fazer-se gostar pelo parceiro, mas mudar o mundo à volta deles já é demais. E infelizmente muitas vezes o amor surge em condições adversas. O sentimento é lindo e maravilhoso mas os terceiros não o aceitam.
E fazer o quê? Não sei. Como todos, ainda ando à procura da solução. Não sei se ela será lutar pelo amor, ou resignar-se e aceitar as coisas como são. Devia ser lutar pelo amor. Supostamente é a coisa mais importante. Mas não é. O mais importante é estar vivo. Viver. Nem que viver seja sem o nosso amor. O amor vai e vem ciclicamente. A vida não. Não quero parecer que o amor é secundário, apenas que às vezes não é possivel amar como queriamos. Temos que ser racionais e aceitá-lo. Ao menos dessa forma disfrutamos do que é possivel.
Ou viver o amor em segredo. Não me parece a solução perfeita. Mas o Romeu e a Julieta fizeram-no. Claro que tiveram um fim triste. No final estamos sempre dependentes do mundo que nos rodeia, e por mais que nos moldemos e adaptemos estamos dependentes da sorte que nos confere.

Fernando Pinheiro 12-12-2005