O Cosmos é tudo o que existe, existiu ou existirá.
terça-feira, novembro 10, 2009
Mais um aniversário na memória
Um tributo meu nestas palavras, e um video em homenagem com música de Sigur Rós.
sexta-feira, outubro 23, 2009
Recordar é viver
Na volta de Itália, a poucos quilómetros de Madrid o Vale dos Caídos, onde Franco fez o seu mausoleu. A diferença entre ditadores é esta, não querendo gabar o nosso Salazar, temos que reconhecer que o nosso ditador não era um megalómano, pois para si apenas repousa num tumulo dum cemitério público na terra que o viu nascer, enquanto em Espanha o correspondente lider fascista construiu esta obra monstruosa para albergar os seus restos.quarta-feira, setembro 16, 2009
Os bebés são apaixonados pelas suas mamãs
Sem mais análises froidianas fica a foto do Eduardo com 4 meses.

sexta-feira, setembro 11, 2009
Fraternidade
Tive uma visão quase cinematográfica nesse momento de uma cena triste, poucos anos à frente, em que uma menina quem sabe de 8 anos conduz pela mão um menino mais novo de 5 anos, irmão dela, curioso, temeroso, inocente e de mão dada com a irmã mais velha a quem pertenceria o mundo dele. Imaginei-os sozinhos, em que um se apoiava ao outro, e se defendiam em conjunto, se aqueciam um ao outro. Foi uma visão comovente de dois meninos a quem algo lhes tinha sido roubado, mas que encontravam forças para continuar um no outro. Não é nenhum presságio, provavelmente é apenas alguma cena de algum filme que já vi retida na minha memória sem lhe conseguir atribuir um nome e autor. Mas isso fez-me compreender que a minha filha e o meu filho partilham algo de especial, algo que existe entre eles e mais ninguém, fraternidade, um elo que os unirá para toda a vida.
E foi essa uma das intenções com que eu e a minha esposa decidimos ter vários filhos e ainda desejamos mais. Porque sabemos que se a vida seguir um curso normal, um dia ela e eu estaremos a repousar em conjunto para a eternidade, e aos meus filhos restará a sua familia, algo em que os irmãos são importantissimos. O meu amor e da minha esposa vive neles, e um dia quando nos formos esse amor continuará dentro deles, e eles poderão encontrar o carinho dos pais entre eles.
Eu e a Mafalda não temos laços de parentesco próximos (digo de sangue e não dos que a lei nos deu ao casarmo-nos), somos duas pessoas com feitios compativeis e que ainda se compatibilizaram mais através da nossa relação, do dia a dia de um casal que se ama e convive. Mas os nossos filhos tornaram-nos uma verdadeira familia com verdadeiros laços de sangue. E é nesse amor que construímos o nosso lar, é essa a mensagem que lhes queremos dar, de amor, educação, fraternidade.
terça-feira, setembro 08, 2009
Comodismo do "Deixa Para lá"
Eu gosto de agarrar o touro pelos cornos. Prevejo um problema? Pelo menos tenha que minimizar o problema, se não o resolver. E é maior a probabilidade de solução quanto mais cedo o enfrentarmos.
Não entendo como há pessoas que sabem que vão ter um problema, sabem que ele vai acabar por o encontrar, e enterram a cabeça na areia à espera.
É um facto que alguns problemas se diluem com o tempo, e se estivermos quietinhos ele acaba por perder importância. Certo. É também um facto, que agir de cabeça quente raramente resolve as coisas. Certo também. É preciso cabeça fria e racional para se conseguir aumentar a taxa de sucesso na resolução de problemas. Mas deixar-me estar quieto à espera?! Não! Isso para mim não. Prefiro morrer a lutar e ainda assim morrer, do que me entregar ao executor. (na realidade morrer não é uma opção).
Claro que o resultado de tanto enfrentar o touro é um cansaço tremendo e muitas vezes um mau humor de fugir. Mas os problemas existem quer se lide com eles ou quer se tenha a atitude comodista do "deixa para lá". A diferença é que eu os apanho mais pequeninos e não os deixo crescer. Por outro lado meto-me em muito mais coisas e por isso sou bombardeado por muitos mais lados com problemas. Mas eu aguento, venham eles que eu cá estou de mangas arregaçadas e punhos fechados. Venham!
terça-feira, agosto 25, 2009
Sr. Autómato
Quando me levanto de manhã sei já as minhas prioridades para o dia que começo logo a executar, até alguém me ligar e me dar novas prioridades, e passo o dia a correr para conseguir dar resposta a tudo. Claro que ficam sempre coisas por fazer, mas faço as mais importantes e tenho tudo minimamente controlado. E como é que consigo isto? Porque acumulei experiência e tenho rotinas para tudo. O meu cérebro já sabe o que fazer automaticamente e o meu corpo responde de acordo. É preciso ir buscar isto? Mete-te no carro, dirige, chega lá, pega, traz.
É preciso passar ou receber informação? Esquematiza, regista, envia, comunica, obtém.
É preciso este projecto para produzir? Desenha, detalha, imprime.
E o meu dia são uma série de rotinas que eu executo na perfeição, tal a é a minha experiência (e a minha resiliência).
Qual é o mal disto tudo? Perdi a capacidade de pensar. Eu executo segundo um reflexo, mas já não reflicto sobre o que faço. O meu corpo está tão treinado que se calhar passo o dia inteiro a executar de forma automática, e quando chego ao fim do dia se calhar nem sei o que fiz. È sair de casa e voltar sem aprender nada de novo.
Valorizo imenso o conhecimento. Neste momento sou um autómato, muito bem preparado com sub-rotinas para todas as contingências, mas que não foge ao programa, um verdadeiro Sr. Autómato. Durante a tarefa não paro para pensar: Poderei fazer melhor? Porque é assim? Vantagens e desvantagens deste método? Toda a aprendizagem do meu dia a dia está a ser perdida, porque o meu cérebro está em automático.
Mas será que a vida não é mesmo assim? Começamos com um cérebro vazio, espaçoso, capaz de tudo aprender, mas que ao longo da vida se vai especializando, adquirindo rotinas, que nos permitem existir sem saber. Aprendemos a conduzir e isso exige-nos uma grande concentração. Ao fim de uns anos podemos ir a conduzir e a falar sem que isso nos perturbe. Entramos num novo emprego, e temos que aprender todos os processos que teremos que executar, e isso exige grande concentração. Ao fim de uns anos nesse emprego levantamos-nos de manhã, vamos para o trabalho, voltamos e nem pensamos no que fizemos. O nosso cérebro automatiza-se. Isso facilita-nos a vida. Mas de certo que o que se torna num processo inconsciente tem que nos roubar capacidade de intelecto. Não dispomos do mesmo número de neurónios para a reflexão no que é novo. É matemático, temos mais neurónios a processar o automático, sobram menos chispas cerebrais para aprender coisas novas.
Tornamos-nos eficazes mas limitados. È um fim triste.
sexta-feira, julho 03, 2009
"A patuscada" ou "Comemorações pagãs do solsticio de verão disfarçadas de convivio saudável de amigos"
quinta-feira, junho 25, 2009
João e o galinha dos ovos de ouro
Nos "Dizparates" peça emblemática da URATE é esse o sentimento com que fico do que aconteceu. A galinha ia pondo os ovos (neste caso eram sucessos e não ouro), mas o 'João' (que na verdade não é João nem masculino, mas sim Isabel e mulher) quis regressar em apoteose e o efeito que teve foi de morte à galinha.
Antes tinhamos sucessos e agora terminou todo o projecto. È uma tristeza. Antes, eu, a Isabel, o Luís, aqueles que fizemos parte dos Dizparates originais, e que por motivos individuais não podemos continuar a fazer, sentiamos orgulho em ver o sucesso da continuação e pensar (ás vezes com soberba a afirmar) "Eu já fiz parte desta peça".
Mas o 'João' quis encontrar o ouro dentro da galinha e matou-a. Só depois descobriu que não havia lá nenhuma mina.
Antes tinhamos os "Dizparates", boas memórias, um grupo unido desde o primeiro momento até hoje. Depois os Dizparates terminaram, acrescentaram-se algumas memórias menos boas, e romperam-se laços.
A decisão que o grupo tomou e que eu aplaudo apesar da tristeza dela, foi de terminar com o projecto. Não haverá um "Dizparat3s". Foi uma decisão sensata.
Por um lado tinhamos a Isabel a reivindicar o nome dela no cartaz como criadora da peça, e a exigir que os "Disparates 3" (fosse qual fosse o nome que ela quisesse dar) fossem segundo a história que ela imaginou. Alegou que patenteou o nome, as fardas com robe e nariz de palhaço, e que nós não podiamos usar sem a autorização dela.
Por outro temos um grupo de amigos que souberam manter o projecto vivo quando ela o abandonou, que criaram uma peça nova que foi um sucesso maior que o primeiro, sem intervenção do 'João', e que estavam cheios de vontade de criar o terceiro enredo genialmente dizparatado e hilariante.
Mas a coragem e humildade do grupo superou as expectativas e entregaram a galinha ao 'João' para ele a papar. E que amarga e dura ela deve ser de trincar.
Mas claro que o 'João' ainda pode fazer ouro, agora que já sabe como uma galinha dos ovos de ouro deve ser. Basta encontrar um grupo de actores com o espirito deste, pelos vistos a história que ninguém quis já a tem, sabe como a galinha se deve vestir e tudo. Só tem que ter a vontade, a determinação, que este grupo tem. Mas isso já sabemos que não a tem, visto ter abandonado o projecto quando se tornou dificil. Pode ser que agora esteja diferente e seja um 'João' tenaz.
Quanto ao ex-grupo dos "Dizparates" têm que encontrar novas ideias, eu incito e dou força para isso, não podem fazer uma peça de robe nem nariz vermelho, mas podem fazer na mesma coisas divertidissmas no género clown, ou até quem sabe arriscar-se em outros estilos. O grupo de domingo à noite anda também à procura de projectos, pode-se até pensar em juntar sinergias. o Youtube felizmente não é do 'João' e continuam-se a encontrar lá ideias espectaculares. È preciso agora provar que conseguem fazer ouro sem a galinha.
Homenagem ao Projecto:
http://diizparates.blogspot.com/
http://www.youtube.com/watch?v=PHYk5uicGI8
Para quem queira acompanhar a novela:
http://zecarregosa.blogspot.com/2009/06/diz-parates.html
http://isabelvsblogueamestrado.blogspot.com/2009/06/com-amigos-destes-estas-lixado.html
https://www.blogger.com/comment.g?blogID=19797011&postID=6930307643629367029&isPopup=true
segunda-feira, maio 18, 2009
Hipácia
Este ano vou poder ver no cinema uma história do realizador Alejandro Amenábar, que não sei quem é mas que deve ser um grande homem, protagonizada pela lindíssima Rachel Weisz.
Recomendo a toda a gente que vá ver, é uma grande oportunidade para saber como entramos na idade das trevas, como foi a destruição da Grande Biblioteca de Alexandria, essa maravilha do mundo antigo, viajar através da cidade mais evoluída do mundo no séc. V iluminada pelo Pharos outra maravilha do mundo e "conhecer" essa grande mulher que tentou salvar a humanidade, tornando-se uma mártir, esta morta pela igreja católica.
quarta-feira, abril 29, 2009
O Eduardo já nasceu.
Para felicidade da minha família (e do resto do mundo se importarem connosco) já nasceu o Eduardo.
É um 'moçoilo' grande com 3,745Kg nascido pelas 21:40 do dia 28 de Abril de 2009.
O esforço do trabalho de parto foi rápido, a Ana Mafalda "só" teve que puxar 40 minutos. E chegou à luz um rapazote a berrar, não fosse isso de praxe, mas saudável. Depois o papá esteve 2 horas com ele ao colo, até o mandarem embora do hospital.
E aqui está uma das primeiras fotos do Eduardo, ainda com poucas horas cá fora.
Vamos amar-te muito filho, ensinar-te e educar-te, e vais crescer numa família com amor. Sê bem vindo ao mundo.
sexta-feira, janeiro 09, 2009
Três.
segunda-feira, dezembro 08, 2008
Embriaguez de Emoções
Sucesso, a "Birra do Morto".
Frustração, saber que falhei e estar no grupo dos que falham.
Felicidade, o meu filho que aí vem.
Choro, o acumular de coisas negativas que faz a panela de pressão deixar escapar (lágrimas).
Plenitude, porque tenho as coisas mais importantes, a minha família, amor, saúde e trabalho.
Desespero, saber que estou na corda bamba a nível profissional e financeiro.
Energia, não paro, posso sempre fazer mais.
Cansaço, a vontade de descansar.
terça-feira, setembro 09, 2008
terça-feira, julho 15, 2008
Porque sou um homem rico
terça-feira, junho 24, 2008
Roda de Amigos
Uma noite muito agradável, que espero poder repetir enquanto for vivo.
sexta-feira, abril 04, 2008
A última luz antes das trevas
A maioria das pessoas está familiarizada com a época designada “Idade Média”, por alguns também conhecida por “Idade das Trevas”. O que poucos sabem dizer é com certeza quando começou. A maioria nem se preocupa com isso, afinal para que serve a História não é? Penso que se fizesse um inquérito e perguntasse a um grupo de pessoas se o ano 1200 dC fará parte da “Idade Média” muitos dirão “Sim”. Mas e se lhes perguntar por anos mais extremos, como o ano 300 dC ou o ano 1600 dC? Farão parte da “Idade Média”? Quantos responderão certo? E como se pode dizer se estão certos? Afinal o que foi a “Idade Média”? Quando começou? Quando terminou? Existe uma resposta única e correcta a estas perguntas? Para esta última pergunta, posso responder que penso que não existe uma resposta única, mas eu sou de um grupo de pensantes que marca o inicio da “Idade das Trevas” com o fim da luz, e o seu terminar 1000 anos depois com o seu Renascimento. A “Idade das Trevas” começa numa tarde de 415 dC quando uma multidão enfurecida estropiou uma bela mulher, de seu nome Hipácia, a última luz antes das trevas.Hipácia de Alexandria, nasceu em 370 dC na cidade delta do Nilo, filha de Theon um professor de filosofia na “Universidade” de Alexandria. Desde criança que foi educada num ambiente liberal, de ideias abertas, amante da ciência, onde ser mulher não lhe trouxe desvantagens, acredita-se que seu pai a educou para ser o ser humano perfeito. Cresceu em Alexandria e apenas saiu durante um período de 2 anos da sua cidade para ser educada na Universidade de Atenas.
Já adulta tornou-se professora e directora da biblioteca de Alexandria, aliás a última directora.
Diz-se que Hipácia era uma mulher muito bela, mas nunca quis nenhum homem. Ao invés disso dedicou-se à procura do conhecimento e brilhou em áreas como a filosofia, a matemática ou a astronomia. Aprendeu também as artes da retórica e buscou conhecimentos sobre todas as religiões do seu tempo, tendo o cuidado de nunca deixar que o seu conhecimento fosse desviado pelos dogmas de alguma delas. Sabe-se que escreveu vários livros e tratados, mas infelizmente até nós só chegaram algumas cartas que ela escreveu a amigos. Dessas cartas sabemos que inventou um astrolábio, um hidrómetro, um densímetro e um planisfério.
Ficou famosa por ser uma grande solucionadora de problemas. Matemáticos confusos com algum problema em especial, escreviam-lhe pedindo uma solução. E ela raramente os desapontava. Obcecada pelo processo de demonstração lógica, quando lhe perguntavam porque jamais se casara, respondia que já era casada com a verdade.
Por ensinar que o Universo era regido por leis matemáticas, Hipácia foi considerada herética, passando a ser vigiada pelos chefes cristãos. Hipácia era pagã, um termo que foi inventado pela igreja católica, para classificar aqueles que não se deixavam amarrar às suas regras e dogmas. Hipácia dizia: "Todas as formas religiosas dogmáticas são falaciosas e não devem ser aceites por auto-respeito pessoal." Este tipo de atitude não era bem visto na sociedade que se formou naquele tempo. No principio do século de nascimento de Hipácia, o Imperador Constantino tinha legalizado o Cristianismo, e nas décadas em que ela cresceu, o imperador Teodósio proibiu o paganismo, perseguindo templos e pagãos.
Hipácia acreditava-se no método cientifico, antes de ele ser inventado, e dizia: “Compreender as coisas que nos rodeiam é a melhor preparação para compreender o que há mais além". Mas a igreja católica como qualquer igreja que emerge hoje, era cheia de dogmas e fanatismos, e queria vergar as pessoas. Hipácia tinha muitos amigos, entre eles cristãos, e outros poderosos, Sinésio de Cirene ou Orestes o governador de Alexandria, que a protegiam. Mas também tinha adversários poderosos, o principal Cirilo, o Bispo de Alexandria.
Por amar o conhecimento, e pregar contra os que o abafavam, selou um destino trágico. Numa tarde em que voltava da Biblioteca para sua casa, foi arrastada por uma multidão enfurecida para fora da sua carroça, e rasgando-lhe as roupas, espancaram-na, e arrastaram-na para uma igreja próxima, onde com pedaços de cerâmica de algum vaso partido lhe arrancaram a carne dos ossos, queimando e matando-a.
Enrico Riboni descreve os motivos e as consequências dessa acção fanática dos religiosos: "a brilhante professora de matemática representava uma ameaça para a difusão do cristianismo, pela sua defesa da Ciência e do Neoplatonismo. O fato de ela ser mulher, muito bela e carismática, fazia a sua existência ainda mais intolerável aos olhos dos cristãos. A sua morte marcou uma reviravolta: após o seu assassinato, numerosos pesquisadores e filósofos trocaram Alexandria pela Índia e pela Pérsia, e Alexandria deixou de ser o grande centro de ensino das ciências do mundo antigo. Além do mais, a Ciência retrocederá no Ocidente e não atingirá de novo um nível comparável ao da Alexandria antiga senão no início da Revolução Industrial. Os trabalhos da Escola de Alexandria sobre matemática, física e astronomia serão preservados, em parte, pelos árabes, persas, indianos e também chineses. O Ocidente, pelo seu lado, mergulhará no obscurantismo da Idade Média, do qual começará a sair somente mais de um milénio depois. Em reconhecimento pelos seus méritos de perseguidor da comunidade científica e dos judeus de Alexandria, Cirilo será canonizado e promovido a Doutor da Igreja, em 1882."
E Carl Sagan acrescenta: "Há cerca de 2000 anos, emergiu uma civilização científica esplêndida na nossa história, e sua base era em Alexandria. Apesar das grandes chances de florescer, ela decaiu. Sua última cientista foi uma mulher, considerada pagã. Seu nome era Hipácia. Com uma sociedade conservadora a respeito do trabalho da mulher e do seu papel, com o aumento progressivo do poder da Igreja, formadora de opiniões e conservadora quanto à ciência, e devido à Alexandria estar sob domínio romano, após o assassinato de Hipácia, em 415, essa biblioteca foi destruída. Milhares dos preciosos documentos dessa biblioteca foram em grande parte queimados e perdidos para sempre, e com ela todo o progresso científico e filosófico da época."
As trevas da idade média só acabarão com o Renascimento em Itália, quando de alguma forma os ideais gregos renasceram, instigados por uma cidade próspera de Florença. Por aí passou Leonardo da Vinci, apoiado pelos mecenas Medici. Mas isso é outra história, e tudo parte da nossa...
colectânea adaptada de textos.
Links de interesse:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hip%C3%A1tia_de_Alexandria
http://pt.wikiquote.org/wiki/Hip%C3%A1tia
terça-feira, fevereiro 12, 2008
Sancho - requiescat in pace

O fiel companheiro lá de casa morreu. O Sancho acompanhava-nos desde o ano de 2001. Foi o ano em que me casei, e nas filmagens do nosso casamento aparece um cachorro traquina e irrequieto a brincar com os convidados. Assistiu ao nascimento da minha filha, e contava que os dois ainda pudessem correr juntos pelos campos a brincar. Seria um companheiro e guardião da minha filha. Mas o destino atraiçoou-nos. Uma intoxicação desconhecida, levou-nos o Sancho em apenas 4 dias.
Sentirá mais a falta dele, a minha sogra, a senhora Adosinda, que já saindo pouco de casa, tinha como companheiro o fiel Sancho. Para qualquer ida ao campo ou à horta, lá ia o Sancho atrás dela. Agora ficou um vazio.
Tinha três casas o Sancho. A casa onde cresci, dos meus avós, a casa dos meus pais, onde por baixo tenho o negócio, e a casa onde habito juntamente com os meus sogros, e essa a principal. Mas o Sancho quando não nos encontrava em uma das casas, saía, caminhando pelos campos verdes, em direcção ao seguinte pouso dos donos, à nossa procura. Agora nunca mais o fará.
Serás recordado por nós Sancho. Sempre que vir o video do casamento, lá estarás tu. Mesmo daqui a 50 anos quando apenas fores um espirito do passado. As pessoas tocam as pessoas, e tu tiveste também um pouco desse poder. A tua existência tocou-nos. Foste para nós uma pessoa. Assim diz a tua amiga Adosinda: "Morreu uma pessoa cá em casa hoje."
Adeus Amigo.
segunda-feira, dezembro 31, 2007
Doichhh!
segunda-feira, abril 23, 2007
Louras e Morenas
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
A verdade sente-se.
Apercebi-me disto à dias atrás, quando me debatia com a minha consciência sobre o tema do aborto. Começo já por afirmar que sou um defensor do sim à vida, não ao aborto.
Apesar de aqui por escrito, conseguir transmitir de forma bastante ordenada aquilo que sinto, no meu discurso oral muitas vezes não tenho essa facilidade. E como estes dias têm sido de debate sobre o tema, já por algumas vezes fui confrontado com discussões em que quis expor as minhas convicções, tentando convencer as pessoas de que a vida é um direito sobre o qual ninguém pode mandar. Mas senti-me um pouco frustrado por não conseguir encontrar os argumentos mais válidos para comprovar aquilo em que me acredito. No entanto reflectindo à posterior sobre o tema cheguei a esta verdade absoluta: Havendo dois discursos opostos, mesmo sem provas sobre qual o correcto, o nosso coração diz-nos qual é o verdadeiro. A verdade sente-se.
E é isso que eu sinto em relação ao tema do aborto. Posso não ter conseguido provar o meu ponto de vista, sobre a nobreza de defender a vida mas sei que estou certo. Sinto que essa é a verdade.
Orgulho-me de ser português. Portugal foi dos primeiros países do mundo a abolir a escravatura e a pena de morte. Somos exemplares nisso. Em Portugal o aborto é proibido. Em outros países, ditos ‘mais evoluídos ‘ o aborto é legal. Acredito-me que eles não estão no caminho certo, e que mais uma vez Portugal com a lei que ainda tem de proibição do aborto é exemplar para o mundo.
Os defensores do sim ao aborto, (reparem na manipulação das palavras, o ‘não’ tido como negativista, vai ser usado neste referendo para defender a vida, dizendo-se ‘não’ à IVG) alegam que legislando o direito à interrupção voluntária do aborto, se consegue evitar situações de miséria, pobreza, crueldade. E vão resolver esses problemas do país matando crianças por nascer. E eu agora pergunto, depois do aborto ser legal, só as pessoas pobre é que vão fazer abortos? Ou será que uma mulher de carreira, bem de vida, e em ascenção profissional confrontada com uma gravidez imprevista que lhe vai atrasar a evolução na carreira podendo por lei abortar não o fará, mesmo tendo todas as condições para criar a criança? Não estamos a legislar o egoísmo?! E será que a partir de agora com o aborto legalizado vai deixar de haver crianças violadas, queimadas com cigarros, espancadas? O aborto vai solucionar isso?
Posso não encontrar todos os argumentos para demonstrar que a vida é um direito sobre o qual ninguém deveria poder interromper. Mas sinto sem nenhuma duvida que estou certo!
E no próximo dia 11 de Fevereiro vou votar pela vida. Mesmo que o aborto ganhe, não ficarei com a consciência pesada de a partir daí cada aborto que houver em Portugal eu seja um dos responsáveis por o ter aprovado. Quem disser sim ao aborto, mesmo que o faça com a convicção de defender as mães, está a ser cúmplice da morte de bebés ao aprová-lo por escrito num referendo, ainda que anonimamente.
Cada pessoa fica com a sua consciência. E eu acredito-me que há soluções para a miséria, para a pobreza, para o abuso de menores, para tantos males, sem termos que recorrer à morte.
Como li no msn de um amigo: “Sim, há vida.” que também pode ser “Sim à vida”, e para isso voto “NÃO” á IVG.
sábado, dezembro 30, 2006
Primeiro aniversário da Beatriz.
quinta-feira, dezembro 21, 2006
Dez anos sem Carl Sagan.
Sou um amante da ciência. E isso deve-se a dois motivos principais, um interno e o outro externo. O factor interno tem a ver com a minha ânsia de saber, com o gosto que tiro das descobertas, o prazer de entender. O factor externo tem um nome, Carl Sagan.
Faz 10 anos que o senhor Carl Sagan nos deixou, em 20 de Dezembro de 1996. Este homem tocou a minha vida pelo menos 2 vezes.
A primeira influência deste senhor na minha vida e talvez a mais marcante foi aos meus 11 anos, decorria o ano de 1987, e eu frequentava o 2º ano da telescola. Foi o ano em que me tornei céptico. Também ateu, mas mais importante que isso, céptico. Eu era, como qualquer miúdo nessa altura e nessa idade, um devorador de televisão. E passava na televisão portuguesa a série Cosmos. Eu ficava colado ao televisor. Devo ter visto todos os episódios. Mas houve um que me marcou mais. Já não me recordo de qual, mas sim do conteúdo e da ideia que transmitia. Falava-se na criação do universo e nas diversas teorias para o seu aparecimento. As teorias gnósticas e a teoria cientifica. Não se dava relevo a uma teoria isolada, mas apresentavam-se as várias versões que explicavam o aparecimento de tudo o que conhecemos. As teorias mais folclóricas e poéticas a par de uma teoria obtida através de observações e método, a teoria cientifica do big bang. Este confronto de ideias obrigou-me a pensar, onde estaria a explicação correcta? Devia ter fé cega e aceitar as explicações religiosas que me tinham sido dadas, ou estaria certa a explicação cientifica obtida através de observações metódicas, testadas através de teorias e experiências, mas que me obrigavam a partir de um principio de ignorância, sem deuses, sem sobrenatural, para explicarem tudo? Para mim a escolha foi muito rápida. Nessa hora passei de católico a ateu. Tornei-me céptico, e passei a acreditar-me apenas no que podia ser comprovado pela ciência, porque encontrei aí um caminho plausível que me satisfazia. Tudo isto devo ao Sr. Carl Sagan.
A segunda vez que o Sr. Carl Sagan tocou a minha vida, eu já era um jovem adulto. Terá sido por volta dos meus 21 anos. Aconteceu que durante o verão desse ano passeava pelo Furadouro de mãos dadas com a minha namorada, a Mafalda, e deparei com uma feira do livro ao ar livre cheia de promoções. E tive a sorte de encontrar um livro de ficção denominado “Contacto” com uma temática que me era apelativa. Investi nesse livro. E foi dos melhores investimentos que já fiz. Além de me ter trazido uma paixão pela leitura, pois desde aí devoro livros, abriu-me portas que eu pensei nunca existirem. Aprendi o que era a vida de um astrónomo, como funcionava exactamente o método científico, e mostrou-me um universo enorme quer em espaço quer em tempo.
Desde aí tenho lido vários livros deste grande homem e alguns deles aprofundaram ainda mais a minha crença na ciência. “Um mundo infestado de demónios” é um livro esclarecedor, uma prova de que o pensamento céptico, ordenado, obtido a partir de provas sem dúvida, é a fonte correcta para o conhecimento. “Biliões e biliões” é um livro emocionante, uma mostra que a ciência não tem que ser fria, tem que ser interessada e dirigida aos interesses da humanidade. O conhecimento científico deve privilegiar formas de melhorar a condição humana, prevenindo acontecimentos que nos possam ser nefastos.
O Sr. Carl Sagan amava a humanidade e a ciência. Na sua vida promoveu projectos de exploração espacial, tais como as naves Voyager, as naves que a humanidade enviou mais longe. Concentrou-se na exploração de Marte. Nunca fez descobertas ao nível de Einstein ou newton, mas foi o homem que mais e melhor terá divulgado as descobertas da ciência e desses cientistas.
Carl Sagan deixou-nos em 1996, faz uma década. Apaixonado pelo conhecimento como ele era, choro interiormente pelas descobertas maravilhosas que desde aí fizemos e a que ele nunca pôde assistir. Mas a humanidade hoje é mais evoluída e o mundo mais seguro devido à passagem deste grande cientista.
Newton disse “Se vi mais longe foi por estar aos ombros de gigantes.”. Eu acrescento: “Toda a humanidade viu mais longe aos ombros de Carl Sagan.”
sexta-feira, setembro 29, 2006
Escape à angustia.
Hoje sinto-me um pouco angustiado. Não sabia muito bem o que fazer para me aliviar, mas fosse o que fosse eu sabia que tinha que dizer algo a alguém. Pôr para fora é sempre a melhor maneira de encontrar a paz. E lembrei-me do meu blog, iniciado quando terminei de escrever a minha segunda peça de teatro. Que melhor sitio do que este, para desabafar? (eu devo ser louco por segredar as minhas mágoas num sitio com tanta visibilidade, mas enfim...)
Quando nos sentimos angustiados nem sempre há só uma razão para esse facto. Uma forma de provar isso é metaforizando a angustia como sendo o esmagamento dos sentimentos, e para haver um esmagamento tem que haver pelo menos duas superficies sólidas a pressionar em direcções opostas e que impeçam o esmagado de escapar. Nada se esmaga apenas por ser empurrado por um peso. Pode-se ser arrastado, mas enquanto não embater numa outra superficie não se esmaga.
E como de costume, analiso, faço analogias, esquematizo, metaforizo (esta palavra não sei se existe, mas soa muito bem), defino forças e direccções, mas nunca revelo os motivos. Nem nunca poderei fazê-lo aqui.
No entanto sentir escapar estes devaneios ajuda-me imenso.
Fui amaldiçoado com a descrença, e mais tarde abençoado com a crença de que nada termina, apenas se transforma. Aos 11 anos a minha mente racional bloqueou-me qualquer hipotese de crer em algo que se assemelhe a sobrenatural. O meu universo é totalmente natural. E a minha adolescencia encontrou motivos para o sofrimento e para a dor, que passar por essa idade traz, simplesmente os meus motivos eram diferentes dos outros jovens. Ao cehgar à idade adulta encontrei um outro conjunto de leis mais práticas, em que creio profundamente sem precisar de conspurcar a minha não-religiosidade:
Acredito que o fim de algo, não é mau, porque terá que vir algo de novo e diferente a seguir. - lei da transformação da energia.
Acredito que se eu fizer o mundo melhor à minha volta, serei afectado por esse mundo da mesma maneira. - lei da acção reacção.
Acredito que nunca me devo arrepender, porque isso é lamentar ter vivido algo. - Sentido unidirecional do tempo.
Todo o meu mundo se reger por leis naturais como estas, em que consigo acreditar piamente, sem precisar de recorrer ao sobrenatural para encontrar forças.
E sei que devo viver agora sem hesitações, sem arrependimentos, sem lamentos, caminhando em frente, ainda que sofrendo colocando um sorriso nos lábios para melhorar o mundo à minha volta, esperando que isso retorne para mim.
Obrigado a todos pela atenção.
sexta-feira, agosto 11, 2006
Love is universal.

Hi to all.
I am writing this on English to give everyone of my friends around the world the same chance of understanding my messages. Unfortunally writing in English excludes some of my Portuguese friends, but for them i already write many times many words they could understand and they know how much i love them.
Today is a special day. This is the last day of work. One time in the year i take two weeks in which i don’t want to see or work with computers. During the year i work maybe 10 hours a day with those evil machines (Muhahahaah), i am joking, i like computers, but it is too much time. To keep my sanity i need to get away from them for a period. And that is what i usually do on the week of my birthday.
My birthday is on the 15 August, in Portugal it is a national holiday, and it coincides with the summer and the period many people take holidays. Fortunally for me i never spend my birthday working. And i have great peaceful memories of that day. i remember some years ago being in Algarve, on the beach by sunset, walking on the water line, 8:00 PM and i received a greeting call from a dear friend. it touched me being far from home and still remembered from those i love.
This year i can’t go adventurous like i did on previous years. i have a beautiful young baby child to take care. it will be the first holidays i do with her. i can’t get into adventures, i am responsible for someone who needs loving care and stability. But still it will be wonderful. Like italians say “La Dolce vita”, just with my “bambinas”.
I have many responsibilities, but they all be the same when i return. “Work don’t spoils” as a ex-boss of me used to say.
For this two weeks i will take cellular, unfortunally it is a need, but only will accept calls i know won’t disturb my rest. And i want to receive birthday greetings. But i don’t think i will need computers. Maybe to discharge the card from the photo machine. But i can contract that in any store around there.
I will go to the movies. i love movies. i want to see all the blockbusters: “The Pirates of the Caribbean”, “Superman”…
I will be travelling through the north of Portugal. There are beautiful views on there. From Caminha to Bragança, passing by Peneda-Gerês. it is interior of Portugal, meaning no beach’s, but still many lagoons of blue water, on the valleys of the mountain. it is great and i barely can wait for it.
For you my friends i will be here again in two weeks, renewed, freshened, and ready for another full year of stress. if you want post a comment over here, i greatly enjoy your words. See you all… Hugs and kisses.
segunda-feira, junho 26, 2006
Os meus amores.
segunda-feira, abril 10, 2006
Regras da realização pessoal.
E sendo um cliché, frases que normalmente desvalorizamos pela vulgaridade com que são usadas, esta consegue reunir os elementos que garantem uma vida feliz e equilibrada. Portanto é uma regra a seguir.
Falando em regras, o meu herói, um grande senhor, já falecido em 1996, de seu nome Carl Sagan, escreve certa vez num dos seus brilhantes livros, quatro regras:
A regra de ouro: Faz aos outros o que desejas que te façam.
A regra de prata: Não faças aos outros o que não desejas que te façam.
A regra de cobre: Faz aos outros o que te fizerem.
A regra de ferro: Faz aos outros antes que te façam a ti.
Cada um de nós deve escolher viver a vida segundo a nobreza do ouro, ou a corruptibilidade do ferro.
Carl Sagan influenciou imenso a minha vida, aos onze anos enquanto via um episódio da série Cosmos, a minha vida transformou-se. Descobri a minha paixão pela ciência, descobri que não queria aceitar dogmas impostos pelos outros. Carl Sagan fez-me perceber que tudo no universo podia ser explicado em termos naturais, e só tínhamos que ter a paixão e a inteligência para encontrar a explicação de tudo. Tornei-me também ateu. Mas felizmente, para mim e para os que me rodeiam, um ateu com moral. Isso aconteceu porque este grande homem soube-me abrir os olhos para a ciência, mas não o fez de uma forma fria. Este grande homem usava a ciência como ferramenta para melhorar o mundo. Ele olhava para os nossos planetas irmãos, Marte, muito frio, e Vénus, muito quente, e extrapolava lições para a humanidade, alertando que estávamos no limiar entre a morte pelo frio ou pelo calor. A Terra tem aquele equilíbrio que permite manter a água acima da temperatura de congelação e abaixo da de evaporação. E nós seres vivos preenchidos de água no interior de cada célula devemos nos consciencializar da necessidade de manter esse equilíbrio.
Isto leva-me de volta à primeira regra desta minha reflexão, conservar a humanidade, a natureza e o conhecimento. Este grande senhor foi isso que fez. A vida de Carl Sagan foi das vidas melhores aproveitadas. Não só promoveu esta regra a nível pessoal, como a divulgou publicamente. Não só conservou o conhecimento da humanidade como o ajudou a aumentar, alertando-nos sobre a necessidade de tratarmos bem a natureza. Para a humanidade sobreviver a natureza tem que sobreviver, e só com esse conhecimento o podemos conseguir.
Este foi um homem de ouro. Fez por todos nós o que queria que lhe fizéssemos. Foi este o modelo em que me inspirei para ser eu.
Já tive uma filha (quero mais filhos). Já plantei arvores (na escola primaria, no dia mundial da floresta). Falta-me escrever um livro (as peças de teatro não contam!).
E encontrei já o tema. Também aqui a minha paixão pela ciência marca. Há 1600 anos atrás a idade média começou, com a morte de uma grande mulher, Hipácia. Ela foi a mulher perfeita, matemática, filosofa, astrónoma, bela e carismática. Encontrou a morte em 415dc ás mãos de fanáticos religiosos. A morte de Hipácia é considerado como o início da idade média, 1000 anos de obscurantismo que se seguiram, e da qual só saímos devido a um punhado de homens no Renascimento que recuperou de alguma forma os conhecimentos perdidos. Vou tentar retratar o que aconteceu nesses anos. Vai ser uma história em que tentarei adivinhar os episódios perdidos, mas os acontecimentos que irei relatar existiram. Desde a queima da Biblioteca de Alexandria até à morte de Hipácia foi um quarto de século terrível para a humanidade e para a ciência.
Mas esse período negro por que passamos também nos deve servir de lição, para que não o repitamos. Tal como outros episódios negros da história da humanidade, a memória não deve ser apagada, para que nos possamos manter alertas contras as causas que os provocaram da primeira vez, e o possamos evitar de tornar a acontecer.
Com tudo isto tenho medo de parecer querer voar muito alto. Mas fui inspirado por homens que voaram alto. Não me quero equiparar a eles. Mas quero dar aos homens o mesmo que eles deram: Aquilo que queria que me dessem a mim.
sexta-feira, abril 07, 2006
Evolução pessoal.
Mas continuo a dizer que sou optimista. Provo isso porque falo em evolução e não em regressão. Acredito que cada dia estamos melhores. As alterações vão-se somando e cada dia temos e somos capazes de algo novo. Se calhar é isso o amadurecimento. Aumentamos a nossa paciência, o nosso desembaraço, a ternura, e diminuímos a impetuosidade, a timidez, e a agressividade.
Posso estar, e sei que estou, a falar apoiado num caso único e que não serve de amostra do mundo; eu próprio. Mas é isto que sinto comigo ao passar do tempo. Talvez as experiências do tempo e da natureza estejam a dar todas certas comigo. Mas privado de outras fés, tenho fé que a natureza tem mecanismos próprios para garantir a evolução. E isso também me dá optimismo.
Mas escrevo tudo isto em tom nostálgico, porque estes pensamentos iniciaram-se quando hoje olhei para trás e pensei como era diferente o Fernando que andava no liceu há mais de uma década atrás. Tinha outros amigos, outros objectivos, outras preocupações, que em pouco se cruzam com as actuais. Nessa altura o meu amor era a Christina, menina venezuelana, moreninha, querida, adolescente sem saber o que queria da vida, que para minha felicidade me acompanhou ao baile de finalistas. O que eu queria era arranjar um emprego como programador de computadores, e comparava-me aos meus ícones, Bill Gates e Peter Norton. A carta de automóvel era uma realidade recém adquirida, e a experiência de vida muito curta. Era um grande idealista, talvez maior do que agora, mas também isso é próprio da juventude. Preparava-me para inserir num mundo que ainda não conhecia.
Actualmente, passados 12 anos, 6 empresas, 1 (e ½) curso universitário, duas empresas abertas, muitos cursos de formação, poucas namoradas (isso é sempre pouco), muitas noites de boémia, uma esposa e filha, vários países percorridos, como poderia ser o mesmo Fernando? Penso que os dois Fernandos, o antigo e o actual, se encontrassem discutiriam, um mais jovem e idealista por discordar de algumas cedências que tive que praticar ao longo da vida, e o mais maduro para libertar e ensinar o jovem a caminhar sem receios e abraçar o que é mais importante.
Resta saber como será o Fernando do futuro? Provavelmente um homem do seu tempo…
quinta-feira, março 30, 2006
Optimismo.
Existe uma característica minha que aprecio, e que tem o seu quê de admirável e curioso: acontece-me algumas vezes, quando no geral tudo está bem comigo e com quem me rodeia, parar para pensar “Hoje está tudo bem!”. Mas penso isto com profundidade e sinto-me bem mesmo. O lado cómico é que penso sempre “Está tudo bem e nem sequer estou constipado!”. È uma maneira optimista de estar e ser, e faz-me apreciar os momentos de bonança que residem entre os períodos de tempestade. Porque a vida decorre por ciclos, bom, mau, melhora, piora. È inevitável ser assim. E estes instantes de introspecção (e extrospecção simultânea) dão-me força para o período que se segue. Quando estou nos momentos maus (e constipado) penso sempre que também isso há-de passar e a bonança há-de voltar.
Os períodos maus sequenciam bons, e os bons sequenciam maus. E isto pode parecer uma rotina sem nada de inovador, e até assustador para quem pensa: “Já fiz tudo o que tinha a fazer! Não há nada de novo.” Mas também aí sou optimista. Claro que não gosto da rotina, e o meu espírito aventureiro quer viver coisas novas. Quando olhamos para o ontem e para o amanhã, num sentido imediato, parece-nos que hoje fizemos as mesmas coisas que ontem e amanhã não há grandes possibilidades de fazermos algo diferente de hoje. Mas contra esta ideia apoio-me na minha experiência e tento pensar numa escala um pouco maior. Naturalmente que o meu ontem e o meu hoje, não podem ser muito diferentes do amanhã. Mas olho mais para trás, por exemplo um ano, e observo como era diferente à um ano e como nesse ano fiz tanta coisa. E extrapolo isso para o futuro, e sei que não vai ser diferente, daqui a um ano estarei de certeza rodeado por uma realidade diferente e terei feito imensas coisas. E quero que seja assim até ao fim da minha vida.
Acomodar-se é morrer. Quem entra no ram-ram e não faz coisas novas,aceitou implicitamente que o seu dia de hoje será igual ao dia da sua morte. E isso é um pensamento horrível.
Não me acredito em radicalismos nem extremismos. Tentar mudar algo de forma súbita pode-nos levar a um choque com algo para o qual não estávamos preparados. Acredito-me que a evolução é um processo lento. A evolução quando observada em períodos curtos parece que nem existe, mas vista num período maior é algo de inegável. E pequenas mudanças na nossa vida causadas por nós podem melhorar ou piorar muito o nosso futuro devido à escala dessa evolução. Ser optimista é uma forma de tentar aumentar as nossas probabilidades de um futuro melhor.
sexta-feira, março 17, 2006
A felicidade existe.
À alguns dias atrás revi um filme que apesar de ser uma comédia, desta vez deu-me para reflectir sobre a vida. A história roda em torno de 3 amigos desde a infância e agora a aproximarem-se dos 40 anos. Cada um com uma personalidade diferente, sendo o filme uma comédia acentua a caricatura de cada personagem, mas mesmo assim cada um deles é um pouco de todos nós. Como os 3 amigos estão naquela fase critica da vida que separa a juventude da maturidade eterna, estão a passar por uma crise existencial e a reflectirem sobre as memórias do passado. Entre eles levanta-se a questão de qual foi o melhor e o pior dia que já viveram… o protagonista, desempenhado pelo Billy Cristal, recorda-se de um dia já longínquo no tempo, em que com nove anos o pai o levou pela primeira vez a um estádio para ver um jogo de basebol. Foi a primeira vez que ele viu um estádio a cores, antes só a preto e branco na televisão (ainda é desse tempo, tal como a maioria de nós), e a emoção do momento misturada com a cor, a animação e o laço emotivo com o pai, marca aquele dia como o mais feliz da vida dele. Já o “Chico Fininho” da história (Daniel Stern, nosso conhecido de “Sozinho em Casa”) recorda-se do dia do casamento dele, o que se torna hilariante visto a vida casada dele ter sido um dia infeliz atrás do outro. Mas ele explica, o casamento dele era o primeiro entre os irmãos dele, vestiu aquele fato bonito, o pai apoiou-o e ele sentiu-se adulto, responsável, fez-lo sentir-se bem. E convence-nos. A terceira história é a mais triste: o personagem mais discreto da história, interpretado pelo Ed Furillo de quem ninguém se lembra, recorda-se daquele dia na adolescência em que o pai dele chegou a casa mais uma vez bêbado, a insultar a mãe a maltratar-lo a ele e à irmã. E desta fez o miúdo não se ficou, e expulsou o pai de casa dizendo-lhe para ele nunca mais voltar. A partir daí ele cuidou da mãe e da irmã. O dia em que ele se revoltou contra o mau pai, foi simultaneamente o melhor e o pior dia da vida dele.
Para quem não reconheça a história, o filme era “A vida, o amor e as vacas”.
Isto tudo veio numa altura em que eu me apercebi que tenho tido os melhores dias da minha vida. Os dias mais felizes da minha vida aconteceram depois da minha filha nascer. E se puder enumerar um, aponto o dia 15 de Março de 2006 como o mais feliz de sempre: Acordei cedo, eu e a minha esposa tínhamos que fazer análises cedo. Levamos a Beatriz connosco, e ela estava desperta e bem disposta. Já se ri, interage e acompanha o movimento das pessoas. Passeamos metade da manhã com ela, e onde parávamos ela estava sempre sorridente e feliz. Nada preenche mais o nosso coração do que o sorriso de um filho. E eu passei um dia maravilhoso. Foi um dia banal, com actividades banais, não fui a um estádio, não me casei, passei-o com a minha esposa e filha, fui fazer análises, depois trabalhar. Mas tinha o mais importante da minha vida: amor, paz e o sorriso da minha filha.
segunda-feira, março 06, 2006
Planos.
O que não quer dizer que deixemos de planear. Toda a fantasia é um plano. Sonhamos com o que desejávamos que acontecesse, mas chegada à hora do acontecimento planeado temos sempre que contar com o inesperado.
Nunca conseguimos antever tudo o que pode acontecer, e o problema é que imaginamos sempre as coisas que gostaríamos que acontecessem. Não é que seja mau o que desejamos, mau é isso não poder acontecer.
Os planos falham porque nos esquecemos que um plano envolve factores extrínsecos e incontroláveis na maior parte das vezes: o local da acção, o tempo meteorológico, o tempo cronológico, e o mais importante e quase sempre envolvido nos nossos planos: os terceiros e a sua vontade.
Porque nós temos planos (fantasias que gostávamos que acontecessem) desenhados á nossa vontade, que depois falham redondamente, porque passam ao lado das fantasias e vontades dos outros. O que nos leva a uma daquelas leis de Murphy: a única coisa certa num plano é ele falhar.













